terça-feira, 3 de abril de 2007

As elites anti-democráticas

Bem ao jeito dos portugueses, também as elites intelectuais vivem num estado de erro. Para ser mais específico não vivem, vegetam!
Vivem mais para a política e para a exposição mediática, em vez de cumprirem a sua "missão": (i) dar novas ideias (a este país tão carente); (ii) formar novos jovens.
É precisamente o segundo ponto que falha aos "génios" portugueses. A maioria pretende formar cidadãos para o mundo do trabalho, segundo o grande Karl Max isso é um erro gravíssimo e típico de sociedades como a nossa: "pequeninas". Sofremos um risco de alienação, os jovens trabalham por trabalhar e os patrões vivem ao sabor do capital (que se lixe a segurança social). Kar Marx propunha que se formassem jovens capazes de modificar o sistema existente e criticá-lo.
Países vazios, sem ambições, neoliberais são os países-modelo onde se baseiam as elites antidemocráticas portuguesas.
Daí que eu despreze por completo os intelectuais da treta que vivem no nosso país, também ele uma treta. Para medir um país basta observar as "elites" e em geral são decadentes pois "aprisionam" o conhecimento só para si.

1 comentário:

João disse...

Apesar de não ser marxista, há uma série de pontos no marxismo que são fulcrais no desenvolvimento das nossas sociedades e que devem ser conhecidos por todos.

Como disseste, o acto de trabalhar por trabalhar apenas beneficia as cúpulas e não o centro nem as bases, o que é um erro - o capitalismo existe para servir o homem e não para o explorar e edificar a sua existência em torno dele.

Afinal, não é possível deslocar ou influenciar os centros de decisão quando os cidadãos são anestesiados, algo que os governos em Portugal sabem fazer muito bem - o Estado Novo manteve os portugueses muito bem condicionados ao apresentar-lhes as virtudes de uma vida simples e sem ambições de qualquer espécie; o governo do Cavaco mostrou-nos que a felicidade reside num carro novo, numa viagem ao centro comercial e nas novas auto-estradas; Sócrates prepara-se para nos encantar com um novo aeroporto feito a martelo (que apenas irá beneficiar um círculo restrito) desde que não haja interferências. O pior é que quem deixa que lhe façam tudo isto, merece - foi-lhes dada uma maioria absoluta, não foi?